martes, 1 de noviembre de 2022

A ROSE DE SAN PABLO - jorge peres

 


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.                      A ROSA DE SAN PABLO


    A noite estava fría. Era normal … aquele dezembro estava particularmente quente … mas, pelas noites a temperatura caía muito.

    Fran circulava com o seu Citröen. Devagar, ventana aberta … sentindo o ar bater-lhe na cara.

    Subiu pela estatua de El Cid e, ao passar pela porta da Diputación observou que, a uns 200 metros, o semáforo mudava para vermelho.

    Na mesma faixa um carro estava parado junto a esse semáforo … deu-se conta que o carro já estava parado ainda o sinal estaba verde … deixou alguma distancia …

    De repente, tres motos, todas com conductor e acompanhante rodearan esse carro …

    Os acompanhantes saltaran e se aproximaram rápidamente … tentaram abrir as puertas … estavam fechadas por dentro …

    Fran ligou os máximos, acelerou e pressionou o claxon.

    Eles olharam surprendidos

    Outros carros apareceram em sentido contrario.

    Rapidanmente, os individuos subiram ás motos e desapareceram pela Puente de los Bomberos.

    Fran avançou um pouco e parou ao lado do carro.

    O conductor era una mujer … olhava de uma maneira fixa e estranha para a frente …

    Fez-lhe jestos com as mäos … mas ela näo se moveuo carro continuou imóvil ...

    Fran, parou um pouco mais á frente, saiu e aproximou-se.

Ola! Estás bem?!

    A mulher moveu ligeiramente a cabeça e olhou para ele … só olhou … inespressivamente …

    Tentou abrir-lhe a puerta … continuava fechada.

Que te passa?!

    Entäo ela, num movimento inesperado abriu, ao mesmo tempo que caía para a frente … tinha desmaiado …

    Rápidamente Fran tomou uma decisäo … tinha que levá-la daí.

    Tirou-lhe o cinto de segurança, tomou-a em braços e levou-a para o seu carro. Com muito cuidado colocou-a no assento de trás e fechou a porta. Depois voltou ao veículo e estacionou ao lado.

    Pensou se deveria leva-la ao hospital … mas ella näo apresentava nenhuma ferida e respirava tranquilamente.

    Decidiu que iriam para sua casa.

    Fran vivia só, desde a sua última separaçäo. Tinha um quarto para convidados.

    Aí a deitou. Tirou-lhe a roupa exterior e aconchegou-lhe o edredon.

    Ficou horas olhando-a desde um pequeño sofá que existia ao lado da cama.

    Pelas 05 da manhä a respiraçäo dela mudou.

    Fran ajoelhou-se junto a cama.

    Ao abrir os olhos la rapariga assustou-se.

Tranquila … Tranquila … Estás em segurança.

Onde estou?

Em minha casa … descansa … desmaiaste … tranquila … te apetece um chá?

    Ela olhou para ele com insistencia … acabou com um movimento afirmativo com a cabeça.

    Em cerca de tres minutos, e utilizando o microondas, Fran preparou-lhe um quente chá de mançanilha.

    Quando voltou ao quarto de convidados a rapariga estava sentada na cama. Estava só com soustian e cueca … parecia ter frio.

    Abriu a porta do roupeiro e tirou uma das suas tshirts.

Toma. Veste isto. Te sentirás mais cómoda.

    Ela agradeceu com o olhar e começou a disfrutar do chá.

Eu sou Fran … Fran Rodriguez … e tu?!!

    Ela olhou-o intrigada … esteve alguns minutos assim … depois le sairam as suas primeiras palavras …

Näo sei !!!

Näo sabes?!!! Como é isso?!!!

Näo me lembro.

Lembras-te de estar parada? … no teu carro ? …

    Ela pensou durante uns segundos …

Näo … — a sua voz revelava alguma angustia.

Tranquila. Näo penses mais de momento … Relaxa e dorme um pouco. Falamos amanhä.

    Ela olhou intrigada.

Eu vou para o meu quarto. Ah! A casa de banho está ao fundo do corredor.

    Antes de fechar a porta ella chamou-o …

Fran ?!

Sim.

Obrigado.

De nada … rapariga misteriosa …

    A noite se foi arrastando. Fran deu-se conta de que ella se levantava, usava a casa de banho e voltava para a cama.

    Com os primeiros raios de sol Fran levantou.

    Abriu um pouco a porta dela … dormia profundamente …

    Foi para a cozinha … prepararía uma torradas.

    Caprichou … com o tomate … o presunto … o café com leite … pensaba levar-lhe tudo isso á cama …

Que bem cheira !!!

Ola, bons dias. Ia-te levar o pequeño almoço …

Obrigado … mas näo é necessario … já acordei …

    Olhou-a com a sua tshirt … ficava-lhe enorme …

    Pela primeira vez a observou por completo … era uma rapariga bastante interessante.

    Ela aproximou-se e ajudou-o a prepara a mesa.

    Durante o pequeño almoço ele voltou ao tema …

Já te lembras de como te chamas?

    A cara dela ficou triste …

Näo … desculpa …

Ok … entäo necessitas um nome … te chamarei … ROSA … ou melhor … ROSE … serás Rose …

Gosto — sorria — e tu, Fran, a que te dedicas?

Sou enfermeiro.

E hoje näo trabalhas?!

Näo, Rose. Saí de turno ontem, quando te encontrei … hoje é o meu dia de folga … volto ao hospital amanhä á a tarde.

    Enquanto terminavam de comer Fran pensava o que deveriam fazer … o melhor seria dar-lhe algum tempo … a memoria volvería …

    Decidiu que a levaría a dar uma volta e almoçar num restaurante simpatico que conhecia por detrás do estadio Sanchez Pizjuan.

    Rose era uma companhia muito agradavel. Já no fim da sobremesa ela le tocou o braço …

Penso que tenho um irmäo.

Boa! E lembras-te como se chama?

Juammy … penso … näo estou muito segura …

Nada mais?

Desculpa …

Tranquila … iremos poco a poco …

    Depois de almoçar deram uma volta por Sevilla … mas deu-se conta do seu ar cansado …

Voltamos a casa?

É melhor. Sim …

    Regressaram a SAN PABLO, um bairro antigo e muito tranquilo.

    Ao entrar em casa ligou a televisäo.

    Rose se sentou no sofá grande … mas olhava o écran com um olhar ausente.

    Ele se sentou ao seu lado …

Tranquila … Tudo voltará ao seu lugar.

    Ela näo respondeu … se aconchegou a ele e reposou a cabeça no seu peito.

    Fran sentiu um formigueiro crescer dentro de si … gostava de Rose … parecia doce … cândida …

    Essa noite levou-a á habitaçäo de convidados.

Que descances, Rose.

Obrigado … por todo …

Por nada! Obrigado a ti … foi um dia muito agradavel.

Queres ficar aquí … comigo? …

Sim … claro … mas näo vou ficar … näo neste momento …

Gosto da tua companhia … me fazes sentir segura …

Tambem gosto muito da tua … mas … algo me diz que devo ir com calma … Que descanses.

    Fechou a porta ao sair … era tudo muito complicado … mas sentia que näo deveria ir täo depressa …

    Aquela noite dormiu muito melhor despertou já com o sol a entrar pelo quarto … e um cheiro … divino …

    Saliu da cama e correu á cozinha.

Rose preparava uns ovos mexidos.

Olá … que estás a fazer?!

Procurei no frigorifico e encontrei ovos e chorizos … espero que gostes …

Adoro.

    Olhou-a durante o pequeño almoço … era muito bonita … sentia uma vontade enorme de beija-la … num determinado momento os seus olhares se cruzaram … ela baixou a cara … sorria … ele apanhou a mäo dela … ela näo a soltou … Fran se inclinou sobre a mesa … ia a beija-la … agora sim …

    Fortes pancadas na porta os fizeram despertar … a porta era de ferro pelo que as pancadas soaram como explosöes.

    Ele se levantou e foi abrir.

    Um homem alto, muito elegante olhava-o com semblante carregado.

Bons dias. Procuro a minha esposa.

Desculpe?!!!

    Desde a porta se via o saläo e a mesa. O homem esticou o braço e apontou na direcçäo de Rose.

Aquela é a minha esposa.

Quem, Rose?!!!

Que Rose?!!!? Essa é DONA EMILIA DE LA CONCEPCIÓN BUCARELLI Y RIBERA, condessa de LEBRIJA Y UTRERA.

    Fran abriu a boca e olhou na direcçäo dela … mas Rose tinha uma cara de incredulidade e espanto …

    O silencio momentâneo era pesado e incómodo.

    Fran reaccionou.

Entre por favor … senhor …

Desculpe. Náo me apresentei … sou JUAN DE MERIN Y SABOYA.

    Sentaram-se no sofá.

    Rose seguia na mesa intentando digerir a situaçäo.

Compreenderá, Senhor Marín que todo isto é algo complicado. Rose … ela … perdeu a memoria …

Sim. Eu sei. Nestes tres anos que levamos de casados este é já o terceiro brote que le dá.

Encontrei-a há duas noites.

Sim. Eu sei. Na avenida Mendez Pelayo.

Como sabe isso?!!!

Pelas câmaras de trafico. Vi como você fazia fugir o bando de assaltantes. Depois vi como a metia desmaiada no seu carro. Pela matrícula consegui a sua direcçäo, Deram-me á umas horas … e aquí estou … Fran … verdade?!!!

Sim.

Olhe. Eu sei que tudo esta situaçäo é muito forte … mas eu posso provar tudo o que digo … olhe …

    Tirou o telemovel do bolso do casaco e começou a mostrar fotografias … do casamento deles … viagens juntos … os dois numa grande casa …

    Rose aproximou-se e começou tambem a ver as fotos … depois ficaram de novo em silencio.

Vou a vestir-me … acompanharei ao meu … marido …

    Meia hora depois Fran, já sozinho, seguia tentando encaixar todo … na mesa estavam os pratos … Rose havia-lhe tocado muito fundo … mas só tinha sido um episodio da vida …


                    ---------------------//---------------------


    Uma semana depois, Fran estava em casa, terminando de almoçar.

    Suaves toques na porta interromperam o seu silencio.

    Ao abrir teve uma sorpresa ...

Rose?!!!!

Sim … mas sou Emilia … posso entrar?

Claro. Entra. Vens só?

Sim.

    Olhou-a quando entrou … estava muito elegante … muito bonita …

Já recuperaste a memoria?

Sim! E me lembrei de ti.

E … está tudo bem contigo?

Bem … sim …

Que te passa?

O meu marido näo é propriamente o que havía imaginado para a minha vida.

Te maltrata?!!!

Näo! Tranquilo! Mas näo estamos enamorados.

E porque näo fazes uma mudança na tua vida?!

Näo posso. O meu casamento já estava combinado desde que eu era uma menina de 10 anos. Ha interesses de familia contra os que näo posso ir.

Compreendo. Pensei que nos dias de hoje essas coisas já näo passavam.

    Ela sorriu.

Vim para agradecer-te.

De qué?!

Me defendeste … cuidaste-me … em nenhum momento me faltaste ao repeito … nem te aproveitaste da minha … debilidade …

    Fran se mantinha em silencio …

Agora tenho de voltar a casa.

Obrigado por teres vindo … tinha saudades tuas …

    Acompanhou-a á porta.

    Entäo ela abraçou-o e olhou-o … olhos nos olhos … as suas bocas foram aproximando-se … lentamente … acabaram num beijo … terno … demorado … depois, de repente … ela abriu a porta …

Adeus Fran — disse quando saia com os olhos cheios de lagrimas …

    A porta fechou-se sem dar tempo a Fran a dizer nada … falou depois de uns segundos …

Adeus, DONA EMILIA DE LA CONCEPCIÓN BUCARELLI Y RIBERA … sorte na tua vida …

    Sabia que nunca mais a veria … mas, para ele, seria sempre ROSE … a ROSE DE SAN PABLO.


                                            fin


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